sexta-feira, 26 de novembro de 2010

A Conta dos Erros das Elites Sobra Sempre Para os Menos Favorecidos.

Desde que o mundo é mundo é assim, e o ciclo se repete agora na Europa;
Não é por acaso que na Europa  as populações protestam através de  passeatas, greves e confrontos com a polícia. Em Portugal, França, Inglaterra, Grécia, Irlanda e outros países sucedem-se manifestações cada vez menos pacíficas  contra os governos respectivos, elevando a temperatura em suas capitais e principais cidades. O cidadão comum europeu, com os estudantes à frente, protesta contra a adoção das milenares receitas para enfrentar crises econômicas:  redução de salários, demissões de funcionários públicos, enxugamento das empresas privadas,  também com dispensa de trabalhadores, aumento de impostos e supressão de direitos sociais.
Tem sido assim desde que o mundo é mundo: a conta dos erros,  excessos e incompetência das elites vai para os menos favorecidos, incluindo-se  a classe média  no rol. Mesmo variadas, as causas da crise debitam-se em especial à especulação financeira,  à ganância e à irresponsabilidade  dos grupos econômicos,  em geral artífices, formadores e integrantes  dos governos.
Desta vez generaliza-se  a reação dos oprimidos. Nada que possa redundar em revolução  ou impasses institucionais profundos, mas, com toda certeza, movimentos capazes de alterar o equilíbrio político-partidário vigente na maioria dos países referidos.  Basta esperar as próximas e sucessivas eleições para constatar que o conservadorismo estará saindo pelo ralo. Em termos democráticos, é a melhor solução, caso haja tempo para a extinção por via pacífica  da farsa das elites.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

8/11/2010 - 17:55h Dormir com a TV ligada pode causar depressão, dizem neurocientistas


DA EFE – FOLHA.COM

Dormir com a televisão ligada pode causar mudanças físicas no cérebro que são associadas à depressão, segundo estudo realizado com hamsters por neurocientistas americanos.
Pela primeira vez fica demonstrado que a luz durante a noite, por mais fraca que seja, produz alterações no hipocampo, uma das principais estruturas do cérebro, que desempenha um papel fundamental nos transtornos depressivos.
O estudo, realizado por pesquisadores da Ohio State University, foi apresentado nesta quarta-feira em San Diego (EUA) na reunião anual da Sociedade para a Neurociência.
“Uma luz branda pela noite é suficiente para provocar um comportamento depressivo nos hamsters, que pode ser explicado pelas mudanças que observamos em seu cérebro após oito semanas”, assinalou a estudante de doutorado Tracy Bedrosian, coautora do estudo.
“Os resultados são significativos porque a luz utilizada não era intensa, e sim equivalente a de uma televisão em um quarto escuro”, diz Randy Nelson, professor de neurociência e psicologia da universidade,
Tracy explicou à Agência Efe que, embora não seja possível garantir que ocorra o mesmo efeito em um ser humano, o impacto da luz não varia em função do tamanho.
“Uma exposição crônica à luz pela noite é um fator relativamente novo na história da humanidade e não é natural, por isso reduzir a iluminação artificial enquanto dorme é conveniente”, acrescentou.

CICLO DE LUZ
O estudo foi realizado com hamsters siberianas sem ovários, para que os hormônios não interferissem nos resultados.
Metade delas foi introduzida em um habitáculo onde foram expostas a um ciclo de 16 horas de luz e oito horas de escuridão total, e a outra metade a 16 horas de luz diurna e oito horas de iluminação tênue.
Após oito semanas nessas condições, as hamsters que dormiram com luz durante a noite mostravam mais sintomas de depressão que as demais.
Os testes são os que as farmacêuticas normalmente fazem para experimentar remédios antidepressivos e contra a ansiedade, e também medem a quantidade de água doce bebida, afirma o estudo.
Normalmente os roedores gostam de beber água, mas os que têm sintomas de depressão não bebem tanto porque, aparentemente, não têm o mesmo prazer nas atividades.
Ao examinar o hipocampo dos hamsters depois do experimento, os cientistas comprovaram que os que dormiram com luz tinham uma densidade menor de espinhos dendríticos, finos prolongamentos das células cerebrais que transmitem mensagens de uma célula a outra.
“O hipocampo desempenha um papel importante na depressão e encontrar mudanças nessa região é significativo”, afirmou Tracy.
No entanto, não foram encontradas diferenças entre os grupos quanto aos níveis de cortisol, hormônio do estresse que normalmente é associado às alterações no hipocampo.
Segundo os cientistas, a explicação mais plausível para as mudanças registradas no cérebro dos hamsters é uma deficiência de melatonina, hormônio que deixa de ser excretado quando há luz.
O próximo passo dos cientistas é analisar o papel do hormônio neste processo.
Os resultados coincidem com estudos anteriores nos quais Nelson e seus colegas descobriram que uma luz intensa constante pela noite está ligada a sintomas depressivos e a um aumento de peso em ratos.

Pastrami



O pastrami é uma preparação que, na essência, não difere muito da carne-de-sol dos nordestinos: a carne é salgada e curada ao ar livre. Um método empregado no passado visando a conservação do alimento. Era assim que romenos e armênios preparavam a pastrma, que, de acordo com a enciclopédia britânica Oxford Companion to Food, deu origem ao pastrami americano. A pastrma era feita com carne de segunda e muito popular entre as famílias pobres do Levante e dos Bálcãs.


O fato é que o pastrami como o conhecemos hoje nasceu de um arroubo de nostalgia dos judeus que imigraram do leste europeu na segunda metade do século 19. Em terras estrangeiras, eles reproduziram as receitas de casa.

O pastrami tradicional das delis nova-iorquinas e ícone da culinária judaica americana  é feito com peito do boi . A carne é primeiro curada na salmoura e esfregada com alho e especiarias, entre elas pimenta-do-reino e coentro em grãos. Depois é defumada. 

O Senador e a Jornalista 10


Santa acordou num quarto escuro e muito equipado. O padre segurava sua mão.
- Onde estou?
- Está segura, minha filha. Agora, o que mais precisa é descansar.
- Quem me trouxe para cá?
- Eu.
- Que lugar é esse?
- Uma clínica.
- O que vim fazer aqui?
- Durma em paz e amanhã conversamos, pode ser?
Mal o padre terminara de falar e Santa já estava de volta em um sono profundo, sedada mais uma vez.
Quando acordou foi informada pelo padre que, a pedido do Senador, da empresa e da mulher do jornalista todos, inclusive ele, acharam melhor tirar o bebê de seu ventre. Santa entrou em choque, estado que durou duas semanas. Durante este período, às vezes tentava chorar, mas as lágrimas não vinham. Foi tomada por um vazio, uma angústia que durou muitos meses. Neste período ficou na sacristia, sob os cuidados do padre, com a anuência do bispo. Afinal, ela só tinha mesmo o pai com quem contar. Aos poucos se recuperou e voltou a trabalhar. Mas a desilusão era tão grande, que não tinha mais vontade de se arrumar. Fora de peso e sempre descuidada foi ficando inviável aparecer na TV. Um dia o chefe a chamou e ofereceu uma vaga de editora de texto. Indiferente, Santa aceitou. Depois de um tempo arrumaram para ela um cargo de chefia sem grandes responsabilidades. Da única vez em que reencontrou o Senador, nos corredores da emissora, cuspiu-lhe na cara e chamou-o de porco. Ele fez como se não fosse com ele e seguiu em frente. Santa adotou seu segundo nome, Maria. Nunca mais ficou sem antidepressivos e remédios para dormir. Tem uma boneca, presente de Su, que cuida como fosse seu bebê. (não continua)

Por Marco Aurélio Mello

O Senador e a Jornalista 9


Santa contornou o Parque da Cidade a pé e seguiu em direção à W3 Sul. Queria encontrar a pequena igreja que tinha visto por ali. Se não estivesse enganada era na quadra 103. Atormentada, lembrou-se da devoção e religiosidade da avó. Foi quando as lágrimas começaram a descer. Entrou e foi direto ao confessionário. Em poucos minutos ouviu alguém cerrar a porta e desatou a falar. Contou da infância, das angústias, da falta do pai e da mãe. Falou da tia e da avó. Desabafou sobre a vida no Rio e tudo o que de errado fez. Não se sentia culpada, mas carregava um peso, algo do qual precisava se livrar, antes de ser mãe. O padre ouvia com atenção. Santa descreveu também como foi a chegada em Brasília e o romance com o Senador. Descreveu ainda o trabalho e ressaltou o carinho que cultivava pelo colega que estava agora num leito de UTI. Foi quando o padre, com forte sotaque italiano, disse:
- Posso ajudar você a dar um tempo daqui. Tenho algumas economias e posso levá-la para um lugar tranquilo, para que tenha seu bebê.
Achou aquela oferta curiosa e resolveu que ia pensar. Agradeceu, fez o sinal da cruz e saiu. Apanhou o primeiro táxi e seguiu para o hotel. Chegando lá recebeu a notícia de que dois homens haviam procurado por ela. Eram enviados do Senador, concluiu. Sobressaltada pensou que de protegida pudesse estar sendo perseguida.
- Eles disseram se iriam voltar?
- Sim, dentro de uma hora.
Santa tinha que correr. Subiu, pegou a mochila, colocou o que coube dentro e saiu apressada. Quando chegou de volta à igreja o padre não estava. Ficou desesperada, sem saber para onde ir. Foi quando uma mão grande veio por trás e colocou um lenço tapando sua boca e o nariz.
(continua)

O Senador e a Jornalista 8


- Alô.
- Sabe aquele jornalista que você me falou que estava saindo com a Santa às vezes?
- Sei.
- Vai lá e faça o serviço.
- Dá um susto ou apaga, chefe?
- Dá uma boa surra nele. Depois diga a ele que vai ser papai.
- Como sabe se é ele?
- Meu não pode ser, porque sou vasectomizado. Se a única pessoa com quem ela sai é ele, então é ele, oras.
- Mas não posso garantir que só saia com ele, chefe.
- Faça o serviço.
- Ok.
(...)
- Olá, trabalho com seu marido.
- Oi, já te vi na TV.
- Como ele está?
- O quadro é estável mais vai ficar em observação na UTI.
- Quando ele melhorar, diga que estive aqui.
- Digo sim, muito obrigada.
- Até logo.
(...)
- Alô.
- Su, encrencas.
- O que foi desta vez?
- Acho que o Senador desconfia que eu saía com o Ícaro.
- Por quê?
- Ele foi espancado por dois homens que disseram que a surra era presente para o futuro papai.
- Mas você não estava grávida do Senador?
- Não, Su, ele operou faz tempo e não pode mais ter filhos.
- Isso você não me contou. Quer dizer então que o pai...
- Hum-hum.
- Cara, você está mais enroscada do que eu pensava.
- Não sei o que fazer...
- Nem eu.
(continua)

por Marco Aurelio Mello

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

O Senador e a Jornalista 7


- O que você acha que eu devo fazer?
- Se livrar do bebê, oras.
- Mas eu não quero.
- Santa, não seja boba menina, uma gravidez agora vai atrapalhar sua vida.
- Não se eu assumir sozinha.
- E você acha que o Senador vai querer?
- Sei lá, só vou saber depois de falar para ele.
- Eu acho uma fria. Você está começando uma carreira nova, não tem ninguém aí para te ajudar, vai carregar uma barriga nove meses, vai precisar de pelo menos mais dois anos até a criança não precisar tanto de você... Pense bem Santa.
- Vou conversar com ele primeiro.
- Faça o que achar melhor e, qualquer coisa, me liga.
- Ok, obrigada amiga.
- Se cuida.
(...)
- Alô.
- Quem te liga sou eu, lembra?
- Só estou ligando porque preciso muito falar com você.
- Conversamos na quinta, oras.
- Não vou conseguir esperar.
- Está bem.
- Pegue um táxi e vá para a casa do Lago. Te encontro lá às 18h.
- Ok.
(...)
- E, então?
- Estou grávida.
- Como assim?
- Estou grávida.
- E o que vai fazer?
- Vou ter o nenêm.
- O quê?
- Quero esse bebê.
- Você deve estar brincando...
- Não, estou decidida.
- Acho loucura. Você não vai poder contar comigo. Se alguém souber...
- Sabia, sabia, como sempre está só pensando em você.
- Veja bem, Santa, isso é uma loucura.
- Não faz mal. Não preciso de você!
- Pense mais um pouco, deixe as coisas ficarem mais calmas primeiro aí você decide...
- Já decidi.
- Bom, neste caso, acabou para mim.
- Você é quem sabe.
(continua)


Por Marco Aurelio Mello

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